Melancholia, 2011, Direção: Lars Von Trier, Com: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Alexander Skarsgard, John Hurt, Charlotte Rampling, Brady Corbet, Stellan Skarsgard.
O planeta Melancolia após anos escondido, está prestes a colidir com a Terra, o que pode ocasionar ou não sua destruição total. Nesse contexto, temos a história das irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Justine se casa e vai para sua recepção de matrimônio, onde acontecem vários fatos bizarros e começa a se sentir mais sensível perante os fatos, inclusive percebe que não possui grande conexão emocional com o marido. Claire abriga Justine após essa cair em depressão, além de se assustar com a possibilidade do fim do mundo, após a colisão do planeta Melancolia com a Terra. O filme é dividido em dois episódios, cada um com o nome de uma das irmãs.
Lars Von Trier não é unanimidade perante o público, nem perante a crítica. Seus filmes são pessimistas, densos, vide por exemplo o ótimo "Dogville". Esse filme em especial que retrata história de uma possível catástrofe, causou logo temor, visto que o tema já era denso o bastante, ainda mais com a mão por vezes pesada de Lars, o que se poderia esperar?
O resultado é brilhante. "Melancolia" é um belo filme, dirigido com maestria por Von Trier. Desde a parte técnica apurada, com uma belíssima fotografia e uma acertada trilha sonora, até as performances sensacionais do elenco, juntamente com a sensibilidade (quem diria) na condução da história, o filme é um grande acerto.
O prólogo é belíssimo, com imagens lentas e a música "Tristan & Isold" de Richard Wagner tocando ao fundo, somos apresentados à um deslumbrante espetáculo visual, quase uma poesia composta de imagens.
Kirsten Dunst encarna Justine com intensidade, entregando uma atuação vibrante que lhe rendeu um prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Mas há de se elogiar também Charlotte Gainsbourg, que interpreta a irmã mais emocional (Dunst faz a irmã mais racional, embora abalada emocionalmente). Charlotte também tem uma performance sensacional, digna de todos os elogios. O elenco coadjuvante também é digno de créditos, especialmente Kiefer Sutherland, que confere humanidade ao seu personagem e Alexander Skarsgard que segura bem as pontas e chama a atenção também.
Lars Von Trier mostra evolução como diretor, pelo menos no sentido da sensibilidade, afinal mesmo com um tema denso desse nível, Lars conseguiu fazer uma obra reflexiva, ainda densa como seus outros filmes, mas poética por vezes. Mesmo com o pessimismo da história por si, a obra consegue inspirar. Um trabalho louvável do diretor. O que ainda existe e que incomodava os críticos, são os cortes rápidos e os enquadramentos não convencionais, isso ainda permanece e há os que se incomodam com isso, mas não tira os méritos da película, que sem dúvida é um clássico dessa década já. Um filme sublime, com um final desconcertante (ainda que não muito original), que dará ao espectador apreciador da sétima arte, uma experiência cinematográfica inesquecível.

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