quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Gabriela, Cravo e Canela

 Sônia Braga e Marcelo Mastroiani exalam sensualidade na adaptação cinematográfica da obra de Jorge Amado.

Gabriela, Cravo e Canela, 1983, Direção: Bruno Barreto, Com: Marcello Mastroianni, Sônia Braga, Antônio Cantafora, Paulo Goulart, Ricardo Petraglia, Flávio Galvão, Tânia Boscoli, Chico Diaz, Nicole Puzzi, Nuno Leal Maia, Nelson Xavier, Cláudia Jimenez, Miriam Pires.

Bahia, 1925. Gabriela (Sônia Braga) é uma jovem retirante que chega em Ilhéus, depois de fugir de uma das maiores secas que já atingiu o Nordeste. É contratada por Nacib (Marcello Mastroianni) e vai trabalhar para ele. Os dois acabam se envolvendo amorosamente e chegam até a se casar. Porém o casamento é abalado pelo comportamento espevitado de Gabriela, que mesmo casada, não deixa de se comportar como uma garota brejeira. Também há os conflitos por conta do coronelismo, principalmente após o assassinato de uma mulher adúltera, o que causa diferentes pontos de vista entre a população.

Baseado no romance de Jorge Amado, "Gabriela" chegou aos cinemas em 1983, 8 anos após a exibição da novela também inspirada na obra e exibida pela Rede Globo, também com Sônia Braga no papel principal. O fato é que Sônia parece ter nascido para interpretar a personagem, tamanha a sua volúpia e jeito brejeiro perfeito, para encarnar a morena cravo e canela do título. Sua presença é arrebatadora. O italiano Marcello Mastroianni, ícone do cinema mundial, forma com Sônia um casal que transpira sensualidade e química em cena. Marcello tem uma atuação inesquecível como o turco Nacib, conferindo virilidade e sensibilidade ao personagem, em igual escala.
O filme se apoia no talento e no entrosamento em cena do casal central. Dessa forma, as tramas paralelas que falam sobre o poder dos coronéis, assassinatos de esposas infiéis, a paixão da menina Malvina (Nicole Puzzi) pelo engenheiro Rômulo (Nuno Leal Maia), acabam ficando um tanto superficiais e não rendem como deveriam. Os atores coadjuvantes acabam apagados pela história principal. A força do filme é realmente a relação de Gabriela com Nacib.

Há de se destacar também a belíssima trilha sonora composta por Tom Jobim e cantada por ele em parceria antológica com Gal Costa. Um deleite para os ouvidos, especialmente "Tema de Amor de Gabriela", uma bela canção que torna o romance central ainda mais atrante.
Sônia Braga atua tão naturalmente como a protagonista, que causa um certo temor a escolha de Juliana Paes para um remake a ser exibido esse ano pela Globo.

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