A Streetcar Named Desire (1951), direção de Elia Kazan, Com: Vivien Leigh, Marlon Brando, Kim Hunter, Karl Malden.
Assistir ao filme "Uma Rua Chamada Pecado" (A Streetcar Named Desire 1951), de Elia Kazan é desfrutar de uma arrebatadora e inesquecível experiência cinematográfica. O forte roteiro de Teneese Williams causa grande impacto no telespectador. A trama acompanha Blanche Dubois, uma misteriosa mulher que ao sair do emprego de professora, que ela diz ter sido de vontade própria devido uma crise de nervos e sem ter para onde ir, já que perdeu a mansão da família após dificuldades financeiras, se hospeda na casa de sua irmã, Stella, em New Orleans. Porém o lugar lhe causa estranheza e asco em muitos aspectos, por se tratar de um cortiço estilo polonês. Pior ainda para ela, é lidar com o companheiro de sua irmã, Stanley Kowalski, um homem bruto que parece desafiá-la e com o qual tem uma relação de repulsa e tensão sexual ao mesmo tempo. Esse ambiente hostil a faz piorar de seu colapso nervoso e aos poucos ela vai enlouquecendo gradativamente.
O autor Tenesse Williams teve uma irmã que sofria de colapsos nervosos, decorrentes de esquizofrênia. Foi internada e segundo consta, foi realizada uma lobotomia nela. O processo de lobotomia a deixou inválida pelo resto da vida. Muitos dizem que o autor criou a personagem Blanche, inspirada em sua irmã, a quem era muito ligado.
Antes de virar filme, "Uma Rua Chamada Pecado" era peça de grande sucesso na Broadway. Sua transição para o cinema parecia natural e da fato ocorreu. A maioria do elenco original principal foi mantido, Marlon Brando, Karl Malden e Kim Hunter. Entretanto, Jessica Tandy interpretava a trágica Blanche no teatro, mas foi vetada na versão cinematográfica, sendo substituída pela estrela Vivien Leigh, até então eternizada como Scarlett O'Hara, protagonista de "E o Vento Levou" (1939).
O resultado não poderia ser melhor. Vivien Leigh deixou toda a aura de Scarlett para trás e mergulhou fundo nos delírios de sua amável, porém patética personagem, numa interpretação perfeita que lhe rendeu seu segundo Oscar de melhor atriz, o primeiro foi por "E o Vento Levou". Seu duelo de interpretação com Marlon Brando é espetacular, a tensão que há entre os dois é um dos elementos mais poderosos da produção, Blanche tem medo de Stanley, mas gosta de provocá-lo. Ele por sua vez acaba descobrindo o passado nada simpático da atormentada protagonista e passa a ameaça-la. Brando em seu segundo filme, já mostra uma performance excelente e absurdamente viril. Kim Hunter no papel de Stella, irmã de Blanche, traz sensibilidade ao papel, sua personagem é o que há de mais humano na produção. Karl Malden personifica com suavidade e competência Harold Mitchell, amigo de Stanley que se interessa por Blanche.
Um quarteto espetacular, num filme tenso e estupendo, com fotografia em preto e branco e por vezes escura. É curioso como o preto e branco dá um ar misteriosa e por vezes trágico às películas. Elia Kazan realiza um filme adulto e cheio de detalhes fascinantes. Tanto o diretor quanto o quarteto principal têm um trabalho excelente, mas é impossível ficar indiferente com a trágica Blanche Dubois. Sua personagem é fascinante, frágil e maliciosa, melancólica e expansiva, uma figura humana cheia de nuances, que em seus delírios à procura de carinho, de proteção, acabou tomando caminhos tortuosos, que numa sociedade como a da época se tornou um caminho sem volta. Sua personagem por si daria uma bela resenha. Sua frase final, "Eu nunca duvidei da bondade de estranhos", é antológica. Inesquecível atuação da igualmente trágica diva inglesa, Vivien Leigh.

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