quinta-feira, 1 de março de 2012

A Dama de Ferro

Meryl Streep em mais uma atuação antológica, num filme menor do que a dimensão de sua performance.

The Iron Lady, 2011, Direção de Phyllida Lloyd, Com: Meryl Streep, Jim Broadbent, Olivia Colman, Anthony Head, Alexandra Roach.

Um pouco da história de Margareth Tatcher, que foi a única mulher a assumir o cargo de Primeiro-Ministro na Inglaterra. Esse drama dirigido por Phyllida Lloyd, que já havia trabalhado com Meryl Streep em "Mamma Mia", optou por centrar na figura de Margareth já idosa, doente e com alucinações com o marido já falecido. Em suas lembranças vêm um pouco da sua trajetória política.
Falar das qualidades interpretativas de Meryl Streep soa redundante até. Porém não há como negar que a força do longa seja a caracterização assombrosamente humana que Streep confere à personagem. É um trabalho sensacional, uma atuação monstruosa dessa grande atriz que merecidamente ganhou seu terceiro Oscar. Visceral sua atuação, entretanto do filme não pode se dizer a mesma coisa.

O recurso narrativo escolhido por Phyllida é duvidoso. Retratando em boa parte do filme a personagem como doente e mentalmente instável, apenas tratando sua trajetória política e de vida anterior à doença, através de lembranças da própria Margareth, o filme mostra-se problemático. Primeiramente porque não oferece um olhar imparcial da situação da forma que deveria. Sem falar que os fatos importantes de sua carreira são jogados muito rápido na tela, quando o filme começa a engrenar, quando parece ter vida em celulóide, retorna para a personagem já fora da realidade.
O único trecho que ainda ganha um pouco mais de destaque, é sua postura perante a Guerra das Malvinas, um fato de suma importância em sua vida política. Porém não é o suficiente, o filme ficou carente de sua trajetória profissional enquanto Primeira-Ministra e até mesmo em sua vida pessoal. Outro fator também problemático, são os personagens coadjuvantes, nenhum deles brilha em especial. Nem mesmo o competente Jim Broadbent, que interpreta o marido falecido, não consegue se fazer notar, não por culpa de sua atuação e sim do roteiro que não desenvolveu personagens secundários tridimensionais. O filme é realmente de Meryl Streep e se não fosse sua estupenda atuação, pouco sobraria para tornar o filme relevante. Margareth Tatcher não poderia ter ganhado uma intérprete mais competente, porém o longa necessitava de uma direção mais incisiva e um recurso narrativo mais eficaz.

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